O dia em que apanhei grávida

Deus é muito sábio. Quando criou o mundo e as mulheres, adicionou em nós a incrível capacidade de esquecer tudo que passamos durante a gravidez e parto.

Olha, se eu não tivesse esquecido o que passei na gravidez da Malu acho que não engravidaria de novo não.

Quase 12 anos depois, e agora com pouco mais de 8 meses de gravidez estou tendo uns revivals de 2005, lembrando os perrengues que passei e principalmente dos que fiz os outros passarem.

Na época eu tinha 21 anos, sabia nada ou quase nada da vida e fui uma grávida insuportável com quem convivia comigo. Queria comer coisas difíceis, queria fazer coisas que grávida não faz (como beber e fumar), queria sair pra balada como se não tivesse um bebê na barriga…e queria decidir o momento que a criança ia nascer.

Na época não existia tanta informação como existe hoje, e eu achava que a gravidez durava 9 meses, como dizem, quando na verdade, em geral, são 10 meses.

E aí fazia como com a expectativa deste 1 mês de diferença? Infernizava os outros.

Dois dias antes da Malu nascer eu infernizei tanto minha mãe porque queria sair com minhas amigas, que tomei foi um cacete. Ela me pegou pelo braço, deu uns tapas, uns gritos e naquele dia resolvemos, pelo bem da nação, que era melhor ir ao hospital marcar uma cesárea.

E assim foi.

Hoje, vivendo novamente essa fase de final de gravidez, percebi como minha história com a corrida ajudou. Especialmente a relação com as maratonas.

No treino ou na prova não tem como a gente adiantar os processos sem pagar um preço alto, não tem como ir mais forte do que podemos e não tem como adiantar o final.

Tanto na maratona quanto no parto, o preço da ansiedade é alto: na maratona você quebra ou simplesmente não alcança seu objetivo, no parto vc se submete à uma cirurgia, que é a cesárea, e muitas vezes se expõe à riscos desnecessários.

Obs: na minha modesta opinião cesárea não é parto, é cirurgia.

Claro que tenho uma rede de apoio maravilhosa, um marido me apoiando nos momentos mais azedos e minha mãe que não desistiu de mim. Mas nessa gravidez procurei muito usar o que aprendi nesses anos correndo, para administrar as expectativas, chateações, dificuldade e mudanças que vivi.

Não estou me sentindo linda nem plena, e sei que tudo isso vai se intensificar nas próximas semanas, mas sempre me lembro das dores e prazeres que sentia na corrida, me lembro que tudo passa e tento ir passando o dia como se fosse um a menos.

Nenhum dos meus melhores tempos conquistei do dia pra noite ou sem esforço, por que gerar um ser humano dentro de mim seria diferente?

Minha linha de chegada será o parto. ❤

 

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