Meu treino com a mulher mais rápida de SP

Conheci a Gisele (@gisele_800run) na final do Desafio Zoom Speed Series, que foi um projeto com diversas seletivas, em busca das mulheres mais rápidas de São Paulo.

A Gisele se classificou na disputa do Minhocão, e algumas semanas depois enfrentou todas as classificadas das outras etapas e ganhou o desafio, se tornando a mulher mais rápida de São Paulo.

Ela é atleta real, especializada nos 800 metros em pista e sua melhor marca pessoal na distância é de 2m07.09. Ou seja – é monstra e se Deus quiser estará nos representando nos Jogos Olímpicos de 2020.

Apesar da diferença de idade, acabou que ficamos super amigas, e provamos que realmente a corrida transpõe barreiras e une pessoas como poucas coisas neste mundo.

No último final de semana a Gi me convidou pra correr, e sem pensar nas consequências eu aceitei. Poderia recusar e me desculpar falando que estragaria seu ritmo, ou que não consigo, mas preferi usar este convite muito especial como um punch, e uma prova pra mim mesma que ainda tenho alguma lenha para queimar.

Sempre gostei muito de correr com pessoas mais fortes do que eu, e acredito que esta é uma ótima ferramenta de aprendizado e motivação. Óbvio que existem pessoas e Pessoas, mas correr com alguém mais forte e muito disposto a estar do nosso lado é maravilhoso – e também raro, pq geralmente essas pessoas deixam o menos forte para trás para não “comprometer” seu treino.

Já treinei algumas vezes com pessoas menos fortes do que eu, e nunca fui esse tipo que larga o outro pra trás, pois acredito que se toda corrida tem um propósito, no momento em que eu me disponho a correr com outra pessoa, o objetivo passa a ser maior do que só o meu.

E quando a Gi me convidou pra correr eu tinha certeza que ela não me largaria no meio do caminho. Nos conhecemos tem pouco tempo, mas logo de cara eu já me liguei quem era a Gisele Aparecida da Silva.

A Gi é uma menina forte, focada e muito inteligente. Ela sabe a hora de brilhar e a hora de observar, e não à toa possui o atual record e melhor resultado atual do Troféu Brasil no estado de Santa Catarina.

Qual era a chance de eu não aceitar de um convite desses? Nenhuma! Fomos bem cedo pra USP, escolhemos o percurso de 11km e já logo avisei que iria sem relógio, e quem administraria tudo seria ela.

Correr sozinha é uma delícia, mas correr com alguém que pode te levar a encontrar seu melhor é maravilhoso!

Não tínhamos GPS, apenas o cronômetro da Gi, e começamos forte, lá pelos 4:20 por km, o que pra ela tava bem suave. 

Eu gosto de fazer força e sentir dor, pensei muito sobre isso durante o treino, por isso sugeri que subíssemos a Biologia já sabendo que ela não diminuiria o ritmo. E não diminuiu, se estávamos lá pelos 4:20 no começo, na subida calculamos uns 4:30.

Porra! 4:30 na subida era tudo que eu precisava para me sentir mais e mais motivada. Não arredei de perto, e embora saiba que ela estava correndo num ritmo bem abaixo do que correria sem mim, sei também que ela não estava me poupando, e me puxaria até onde eu aguentasse.

Eu não precisava falar nada, ela sabia exatamente o que fazer na subida, na descida, no plano e nos metros finais, o que me fez acabar treino com a sensação de corrida perfeita, sabem? Sem conformismo de “era o melhor que tinha pra hoje”, pois o melhor foi realmente o melhor, sem nenhuma lenha sobrando.

Não gosto de dar desculpas nem me conformar, por isso me sinto extremamente feliz quando sinto que não sobrou nada.

E eu sei que aquele momento estava sendo igualmente especial pra Gi, que é especialista de pista e está começando a se apaixonar pela corrida de rua agora, depois do pódio dos 21km em Noronha mês passado.

Ela iria muito mais forte sem mim mas escolheu ir junto, dividindo comigo sua felicidade em estar ali e me ajudando a reencontrar minha melhor corrida.

Fechamos os 11km em 00:47:15 e o pace de 4:18 era muito mais do que eu poderia esperar neste momento. Treino é treino, prova é prova. Mas treinar com uma companhia como essa me fez sentir vontade de correr até sentir gosto de sangue na boca, e assim o fizemos.

Ela sempre me fala que fiz diferença em sua vida, e agora eu gostaria de retribuir afirmando o mesmo, pois esse treino foi um marco importante na minha jornada pós Nicolino, e eu jamais esquecerei quem esteve ao meu lado.

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