2 anos de amamentação

Resolvi falar sobre isso nesta semana do Dia das Mulheres justamente para reafirmar e reforçar o quão forte e capazes nós somos – embora tenha sempre alguma coisa ou alguém que nos faça sentir o contrário.

Diferente da minha primeira filha, que amamentei por apenas 3 meses, desta vez consegui manter meu filho no peito por 2 anos completos. Não foi fácil, não foi “natural” como dizem ser e muitas vezes foi cheio de dor e dúvida.

No segundo dia de vida do Nicolas já comecei a sentir de novo as dificuldades de amamentar. Muita dor, peitos em carne viva, além da culpa, dor e angústia por não conseguir oferecer o melhor alimento ao meu filho – tudo agravado pelo up and down dos hormônios no puerpério.

No fim da primeira semana desisti.

Era de madrugada, sentia um misto de desespero, raiva, solidão e cheguei à conclusão de que aquilo não era saudável pro meu filho, pra mim e pra minha família que assistia tudo sem poder fazer nada. As dores não melhoravam, eu gastava dinheiro fazendo sessões de laser que amenizavam mas não curavam 100% e resolvi que não queria mais. Meu peito estava gigante e a boca do meu filho era minúscula, então a “pega” nunca dava certo.

Tentei tipóia de peito, tentei pegada invertida, tentei consultora de amamentação (que me ensinou muita coisa que eu não sabia)…

Com o peito em carne viva até a bomba passou a me machucar, por isso a decisão foi começar a dar a formula e seguir a vida. Não tinha porque insistir em algo que claramente não estava dando certo. Estava decidida mas bem triste por ter desistido, nem conseguia dar a mamadeira, meu marido ou alguém da família que dava.

Era uma quarta-feira.

Na quinta fui fazer a unha, na sexta fui jantar com marido, no sábado andei um pouco na esteira e no domingo, já com as feridas dos peitos quase cicatrizadas, senti vontade de tentar de novo. Era uma manhã linda e ensolarada, ainda me sentia pouco triste, mas mais aliviada sem as dores das feridas e um pouco mais leve por ter saído da bolha do puerpério nos dias anteriores. Então, sem nenhuma expectativa coloquei ele de novo no peito e como mágica nós dois nos encaixamos.

Passamos por muitas outras dificuldades nos meses seguintes, como a volta ao trabalho e o horário reduzido de amamentação, os olhares estranhos de quem ainda se incomoda com uma mulher amamentando, a família dando uma boicotada, a conciliação da volta ao corpo e aos treinos sem comprometer a produção de leite, treino pra maratona, as viagens (continuei amamentando pós Chicago) e a vida mesmo, que volta ao normal e acaba nos levando a falta de dedicação ao propósito.

Mas o vínculo que criei com meu filho é algo que vai nos acompanhar pela vida. Me sinto muito orgulhosa por ter conseguido chegar até aqui e estar finalmente me despedindo desta fase da vida sem arrependimentos e sem peso.

Deu pra ele e deu pra mim (desta vez, de verdade). Ainda tenho leite, e nos encontramos escondidos em algumas tardes de sábado, mas encerrou e chegamos nesta, que é a linha de chega mais linda que já cruzei.

Não me arrependo de ter desistido na primeira semana e acredito que dar esse break foi muito importante pra eu me recompor e seguir adiante. Aliás, esse é outro grande aprendizado da maternidade que posso levar pra vida (e pra corrida!).

Quando der vontade de desistir, pare, respire, se recomponha e volte mais forte.

54 dias é a média brasileira de aleitamento materno exclusivo, pois infelizmente ainda tem muita coisa que nos impede de cumprir o ideal de 2 anos.

As empresas não acolhem, as leis trabalhistas são fracas, muitas mulheres não tem força pra insistir em algo que, de fato, é difícil. Amamentar é difícil!

Além disso, a indústria de fórmulas infantis é sedutora. Só pra constar, de maneira alguma condeno as fórmulas e super acredito que elas salvam vidas, mas o aleitamento vem em primeiro lugar.

Ao mesmo tempo que fico feliz em fazer parte da pequena estatística, que chega ao 2 anos de aleitamento, também me sinto triste por muitas mulheres que não conseguem sequer completar os 54 dias da média brasileira.

A gente precisa se fortalecer pra bancar todas as dificuldade que vem junto com a amamentação. É uma questão de saúde e de qualidade de vida para nossas crianças. Além de reduzir em 13% a mortalidade por causas evitáveis em crianças menores de cinco anos, a amamentação materna também reduz casos de diarreia, infecções respiratórias, hipertensão, colesterol alto, diabetes e obesidade.

A única coisa que me eu teria feito diferente é em relação a me informar. Não estudei sobre amamentação, não dei importância para as dificuldades que viriam então não me preparei pra elas, também não me organizei no estoque de leite para voltar ao trabalho. Acho que o que nos fortalece, antes de tudo, é a informação.

Então se eu puder dar um conselho é que vocês estudem, se preparem (não tô falando em passar esponja no peito ou tomar sol), se planejem para as dificuldades que virão.

Te digo uma coisa: vai ser foda mas vai valer à pena!

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